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segunda-feira, 30 de novembro de 2020
sábado, 11 de janeiro de 2020
sábado, 4 de janeiro de 2020
sábado, 23 de novembro de 2019
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
O Dr. Guilherme Poças Falcão e o São João na Lagoa do Congro
O Dr. Guilherme Poças Falcão e o São João na Lagoa do Congro
Até à presente data não encontrei nenhum documento que me ajudasse a datar o início da tradição de comemorar o dia de São João, 24 de junho, nas margens da Lagoa do Congro, o mesmo se passando com a data em que a mesma terminou, nem as razões para que tal acontecesse.
Enquanto não encontrar prova em contrário, penso que o São João na Lagoa do Congro só terá começado depois de José do Canto ter comprado, em 1853, 9 moios de terra onde estava implantada a Lagoa do Congro, aberto vários caminhos, construído as casas e criado a sua mata ajardinada, com a ajuda do jardineiro inglês George Brown.
Em relação às casas, nos primeiros meses de 1855, foram postos vidros nas janelas, foi lajeado o seu interior e retelhadas, tendo José do Canto e a família passado alguns dias lá no verão daquele ano.
Sabe-se também que os caminhos abertos por José do Canto para além de se destinarem às plantações e à criação de pastos, também eram usados para proporcionar passeios aos seus familiares e visitantes.
Em toda a bibliografia consultada o nome que aparece associado às festas de São João na Lagoa do Congro é o do seu proprietário Guilherme de Poças Falcão (1855-1942) que sempre autorizou a utilização do espaço por parte dos vila-franquenses e de vários habitantes da costa norte que para lá convergiam a 24 de junho de cada ano.
Guilherme de Poças Falcão, natural de Ponta Delgada, formou-se em direito na Universidade de Coimbra, tendo sido advogado e exercido funções de oficial do Governo Civil do distrito de Ponta Delgada.
Para além da sua generosidade para com os vila-franquenses, o Dr. Guilherme de Poças Falcão distinguiu-se por ser sócio benemérito da Sociedade Afonso Chaves, apoiar diversas instituições de caridade bem como ajudar muitos estudantes pobres a prosseguir os seus estudos e a proteger viúvas e órfãos, de tal modo que o seu falecimento foi sentido em toda a ilha de São Miguel.
A propriedade da Lagoa do Congro, que não incluía a Lagoa dos Nenúfares que pertencia ao Conde Botelho, foi herdada pela filha de José do Canto Maria Guilhermina que era casada com o Dr. Guilherme de Poças Falcão que numa visita à mesma pensou recuperar a casa para servir de recreio.
Tudo levar a crer que terá sido no tempo Dr. Guilherme de Poças Falcão, que por vezes também participava, que começaram as festividades de São João na Lagoa do Congro. Sobre este assunto o professor José Cabral, num depoimento publicado no livro “São João da Vila”, de Eduardo Furtado, mencionou o seguinte: …Assim juntavam-se famílias que iam para a Lagoa do Congro, quando era ainda propriedade do Dr. Guilherme Poças Falcão. Toda a zona era um relvado bem cuidado onde se organizavam balhos populares e onde as pessoas se divertiam de manhã à noite”.
Terão sido alguns dos herdeiros do Dr. Guilherme de Poças Falcão, que não seguiram o seu generoso exemplo, e que pela proibição do acesso à propriedade levaram a que o São João na Lagoa do Congro terminasse.
Sobre o fim daquela salutar prática, Manuel Inácio de Melo, num texto publicado no jornal “A Vila”, em 1969, depois de escrever que ainda estava “aberta uma dívida a pagar a esse Bom Homem que foi o Sr. Dr. Guilherme Poças Falcão”, acrescentou:
“Repito, pois, Santos tempos aqueles em que se contam às dezenas as raparigas que balhavam sem haver rogos, trajando vestes garridas e chapéus de palha do nosso trigo com flores campestres. E ficamos por aqui, faleceram aqueles ricos proprietários e tudo morreu na Borda da Lagoa, que passou de um extremo a outro!”
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31955, 16 de outubro de 2019, p.14)
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
sábado, 1 de junho de 2019
Lagoas do Congro e Nenúfares- Monumento Natural
Lagoas do Congro e Nenúfares- Monumento Natural
Em Fevereiro de 2000, os Amigos dos Açores- Associação Ecológica elaborou e remeteu à Direcção Regional do Ambiente uma proposta de Classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares como Área Protegida. Passados mais de quatro anos, é altura de voltar a insistir para que aquela proposta não caia no esquecimento e, ao mesmo tempo, reafirmar todo o interesse em que, tal como aconteceu recentemente com a Caldeira Velha, aquela zona seja classificada como Monumento Natural.
A Lagoa do Congro deve o seu nome ao facto de, em tempos, ter pertencido, tal como uma vasta área de mato nas suas imediações, a André Gonçalves de Sampaio, “ O Congro”, sendo este cognome explicado por Gaspar Frutuoso da seguinte forma: “por em seu tempo ser o mais rico homem da terra, como dizem ser o congro, entre os peixes que se comem, o maior peixe do mar”. Por seu turno, a Lagoa dos Nenúfares deve o seu nome ao facto de, grande parte da sua extensão, estar coberta por nenúfares (Nymphae alba).
As lagoas do Congro e dos Nenúfares localizam-se no extremo oriental do Complexo Vulcânico do Fogo, a NNE de Vila Franca do Campo.
Sob o ponto de vista geológico, a Lagoa do Congro ocupa uma cratera de explosão do tipo maar, com cerca de 500 m de diâmetro e paredes fortemente entalhadas em basaltos e traquitos. A Lagoa dos Nenúfares, situada a escassos metros a Sudeste da Lagoa do Congro, tem a sua génese associada ao maar da Lagoa do Congro.
Actualmente, em redor das Lagoas do Congro e dos Nenúfares, embora possam ser observadas espécies da vegetação natural dos Açores, tais como o louro (Laurus azorica) o cedro do mato (Juniperus brevfolía) a Lysimachia azorica, predominam as espécies exóticas, como a: criptoméria (Cryptomeria japonica), a hortência (Hydrangea macrophylla), a azálea (Azalia indica), o eucalipto (Eucalyptus globulus), o incenso (Pittosporum undulatum) e a conteira (Hedychium gardneranum).
As espécies vegetais aquáticas mais comuns, para além da Nimphaea alba que é claramente dominante na Lagoa dos Nenúfares, são o Potamogeton polygonifolius e o Scirpus fluitans, para além da presença de Hypericum elodes e do Junco (Juncus efusus).
Dado que esta zona é densamente florestada, é frequente observarem-se diversas espécies de aves, das quais se destacam: a estrelinha (Regulus regulus azoricus), o milhafre (Buteo buteo rothschi¬idi), a alvéola (Motacilla patriciae cinerea) e o pombo torcaz (Columba palumbus azorica), o touto (Sylvia atricapilla), o pato bravo (Anas querquebula) e a garça-real (Ardea cinerea).
Actualmente, na Lagoa do Congro estão referenciadas duas espécies ictiológicas - Cyprinus sp. e Perca fluviatilis (perca do rio) e a rã (Rana perezi). Por seu turno, na Lagoa dos Nenúfares podem encontrar-se peixes vermelhos (Carassius auratus) e duas espécies de anfíbios - o tritão de crista (Triturus cristatus carnifex) e a rã (Rana perezi).
Em virtude da sua localização, o Monumento Natural das Lagoas do Congro e dos Nenúfares poderá funcionar como pólo dinamizador de diversas actividades na área do turismo, com destaque para uma rede de percursos pedestres e/ou equestres que terão como destino as Cumeeiras da Lagoa do Fogo/Pico da Vela, a Lagoa de São Brás, o Castelo/Branco, o Pico da Dona Guiomar/ Lagoinha do Areeiro, etc.
BIBLIOGRAFIA
CONSTÂNCIA, J., BRAGA, T., NUNES, J., MACHADO, E., SILVA,L., (1997). Lagoas e Lagoeiros da Ilha de São Miguel, Amigos dos Açores. Ponta Delgada.
NUNES, J.,(1998). Paisagens Vulcânicas dos Açores, Amigos dos Açores, Ponta Delgada.
Teófilo Braga
(Terra Nostra, 25 de junho de 2004)
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